13 de dezembro de 2013

Aplicativo traduz fala humana para libras



Aplicativo facilita a comunicação de profissionais da saúde com surdos e auxilia a fonoaudiologia nos processos de oralização


ProDeaf Móvel traduz termos bem pronunciados em Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Graças ao reconhecimento de voz, aplicativo tem sido usado em consultórios como suporte ao desenvolvimento da fala de deficientes auditivos 

Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que os surdos também eram mudos. Mas era um grande erro. Em sua maioria, eles contam com laringe funcional e aparelho vocal capaz de emitir sons, o que lhes permite desenvolver a fala, sem problemas. Porém, como não ouvem, este processo fica obviamente mais difícil. E é aqui que entra a terapia fonoaudiológica, responsável pela formação dos chamados surdos oralizados.

O baiano Daniel Kruschewsky Margotto, de 25 anos, nasceu surdo e, desde os primeiros anos de vida, frequenta sessões de fonoaudiologia. Atualmente, ele já é quase 100% oralizado e, graças a um implante, já consegue escutar com o ouvido direito. No esquerdo, ele utiliza um aparelho de surdez. 

Formado em Análise de Sistemas, Margotto é bilíngue, com fluência em Português e na Língua Brasileira de Sinais (Libras) – o segundo idioma oficial do País (http://ow.ly/rfuF7), usado por mais de 5 milhões de brasileiros. Até hoje ele faz terapia fonoaudilógica para aperfeiçoar a pronúncia, atualmente com Nailma Arraes. Como suporte ao trabalho realizado no consultório, ele tem usado o aplicativo ProDeaf Móvel, que traduz a fala e a escrita em Português para a Libras. "Eu uso o ProDeaf para treinar a minha voz e tentar pronunciar as palavras da forma mais correta possível", conta Margotto. 

Aliando um dicionário com cerca de 3.700 sinais ao recurso de reconhecimento de voz, o aplicativo traduz termos e palavras falados em Português para a Libras, a partir de gestos executados por um personagem na tela do celular ou tablet. Para tanto, é preciso que as palavras sejam pronunciadas corretamente. Caso contrário, o aplicativo não reconhece o termo e não faz a tradução, o que significa que a pronúncia está incorreta e precisa ser aperfeiçoada. 

Assim, com o uso do ProDeaf Móvel, Margotto percebe facilmente que termos em Português têm de ser mais trabalhados para que ele chegue à dicção correta. Além disso, ele também utiliza o aplicativo  para melhorar a prática da língua de sinais. “O aplicativo é muito interessante porque permite a comunicação viável e rápida entre a pessoa surda e a ouvinte”, elogia.

A fonoaudióloga Nailma conta que alguns de seus pacientes têm relatado a ajuda do ProDeaf Móvel no processo de oralização. “Ao trabalhar a linguagem você estimula a oralização”, explica. “Eu recomendo o uso do ProDeaf Móvel como elemento de ajuda terapêutica”, afirma a especialista, destacando que o seu trabalho é baseado apenas na oralidade; e não na prática de Libras.

Especializada em problemas de ouvido – como doenças labirínticas, tonturas, desequilíbrio corporal, zumbido e surdez –, a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, de Curitiba (PR), conta que a deficiência auditiva é uma das mais comuns entre a população brasileira. 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com cerca de 10 milhões de surdos e, segundo a Sociedade Brasileira de Otologia, a cada mil crianças que nascem no país, três a cinco delas têm deficiência auditiva. 

Rita explica que, além da ausência completa da audição, a diminuição considerável deste sentido também é considerada surdez. Mas há diversos tratamentos e recursos para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com a perda auditiva. E, segundo a médica, a criação de aplicativos como o ProDeaf Móvel torna a tecnologia uma grande aliada na comunicação entre surdos e ouvintes. “Existem não ouvintes que não querem participar do ‘mundo’ dos ouvintes e se comunicam exclusivamente pela Libras. Porém, muitos ouvintes não conhecem a língua de sinais e o aplicativo pode ser uma boa solução para se comunicarem”, conclui.

Imagine um surdo chegar a um hospital e não poder se comunicar. “Certa vez, fui realizar uma ressonância e os atendentes da instituição de saúde não estavam seguros o suficiente para me recepcionar”, lamenta Sylvia Lia Grespan Neves, professora de Libras da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

Ela conta que ainda há uma grande dificuldade para os não ouvintes no Brasil, principalmente pela falta de preparo de profissionais dos serviços básicos, que desconhecem totalmente a língua de sinais. “Nós, os surdos, percebemos que há uma carência de pessoas bilíngues e é importante que as empresas disponibilizem intérpretes", afirma

De acordo com Guadalupe Marcondes de Moura, docente do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a prática da Libras não é incompatível com o desenvolvimento da oralidade e pode até facilitar o processo de compreensão de uma segundo idioma – como o Português escrito, por exemplo. “Trabalhamos em uma proposta bilíngue, pois nossos pacientes têm o direito de usar a língua de sinais e a língua portuguesa escrita, bem como podem usufruir tecnologias existentes para desenvolver a fala”, recomenda.

Versões gratuitas rodam na web e nos principais dispositivos móveis 

Inspirado em um amigo surdo, um grupo de jovens empreendedores de Pernambuco criou o ProDeaf Móvel, o primeiro aplicativo gratuito para smartphones e tablets (Android, iOS e Windows Phone 8) capaz de traduzir a fala e a escrita em Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Anunciado em abril deste ano, o aplicativo já registrou mais de 100 mil downloads até aqui. O projeto, que impulsionou a criação da companhia pernambucana ProDeaf, é fruto de um investimento de R$ 500 mil, feito com financiamento do Sebrae e do CNPQ. 

O desenvolvimento do aplicativo levou dois anos e contou com a participação de 12 profissionais, incluindo intérpretes, designer, linguistas e programadores, além de colaboradores surdos das empresas do Grupo Bradesco Seguros – instituição que subsidia o projeto e viabiliza a distribuição gratuita do aplicativo.

No início de setembro, o ProDeaf Móvel (http://prodeaf.net/instalar) chegou à versão 2.0, com melhorias em sua interface, adição de novas palavras ao dicionário e ganhos de desempenho. Em outubro, a companhia lançou o ProDeaf Web (http://web.prodeaf.net), versão que pode ser usada através do Facebook para traduzir textos em Português para Libras. 

Projeto premiado será apresentado no MIT

Em 2013, o ProDeaf recebeu o Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação em Comunicações. A empresa foi vencedora na categoria “Desenvolvedores de Aplicações e Conteúdo”. No mesmo período, a companhia também foi vice-campeã do concurso Web’s Got Talent, realizado durante a 5ª edição da Web W3C Brasil, a maior conferência sobre a internet no País. 

Além da homenagem, o segundo lugar do concurso rendeu ao ProDeaf o convite para apresentar o aplicativo na sede do W3C, instalada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge (EUA), em 2014. Na oportunidade, João Paulo Oliveira, CEO do ProDeaf, apresentará a tecnologia do ProDeaf aos representantes do W3C, explicando os benefícios que o aplicativo pode trazer à web  e a importância de garantir o acesso de usuários surdos aos conteúdos online.

Sob a proposta de humanizar a comunicação entre surdos e ouvintes através da tecnologia, o ProDeaf vem trabalhando na criação de um padrão para tornar a web acessível a todas as línguas de sinais. Por isso, a visita ao MIT ganha ainda mais importância. “Teremos a oportunidade de apresentar nosso padrão ao W3C, que é o consórcio responsável por estabelecer padrões e divulgar a internet", celebra Oliveira. 

Sobre o ProDeaf

O ProDeaf é um software inédito para tradução de conteúdo falado e escrito em Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), o segundo idioma oficial do país, utilizado por mais de 5 milhões de brasileiros. O projeto é carro-chefe da empresa homônima (www.prodeaf.net), uma startup pernambucana especializada em tecnologias assistivas focadas na comunicação e integração social de surdos e ouvintes.  

Em linha com a missão da empresa, de permitir a quebra das barreiras de comunicação, o software apresenta soluções viáveis para o mercado corporativo e usuários finais, incluindo a tradução de sites e vídeos para Libras e disponibilizando aplicativos gratuitos que traduzam o som falado e escrito em Português para a língua de sinais, em tempo real.  

Com operações em Recife (PE) e São Paulo, a empresa oferece ao mercado serviços diferenciados e orientados por qualidade, resultado e especialização. É uma startup acelerada da academia de inovação da Telefonica (Wayra) e parceira da Microsoft. 

Sobre a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Fundada em 1963, a tradicional instituição está completando 50 anos. Atualmente, além de Medicina, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (www.fcmsantacasasp.edu.br) também oferece graduação em Enfermagem e em Fonoaudiologia, além de diversos cursos de especialização e pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado.

Com infraestrutura completa, a instituição mantém importantes laboratórios, incluindo os de Anatomia, Imunologia, Microbiologia, Farmacologia, Bioquímica, Técnica Cirúrgica, Fisiologia, Biologia Molecular, Cirurgia Experimental e Centro de Simuladores. Por meio de um convênio, a faculdade ainda conta com os ambulatórios, enfermarias e Centros Cirúrgicos do Hospital Central da Santa Casa de São Paulo. 

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