14 de dezembro de 2011

A memória perdida de Foz do iguaçú.

A memória perdida



* Aluizio Palmar

Naquele início do verão de 85, Saulo Martinho Brasil fazia de volta o mesmo caminho que o trouxera de Florianópolis há 15 anos. Embarcou no bagageiro do ônibus cinco caixas contendo parte da memória de Foz. Eram fotografias e documentos recolhidos das famílias pioneiras e em suas andanças pelos órgãos públicos.

Fotógrafo de profissão, como qualquer outro profissional da área, Saulo trabalhou em seus primeiros anos na cidade, tirando retratos dos pontos turísticos e cobrindo os eventos. Com o passar do tempo descobriu que os dados históricos de Foz do Iguaçu estavam dispersos e que sua sistematização poderia ser um bom negócio.

Desembaraçado e bem-falante, Saulo Brasil não encontrou dificuldade em sua tarefa de juntar fotografias e todo documento que pudesse ser útil no futuro. Na medida que pesquisava ia depositando numa caixa de papelão tudo que encontrava pela frente, desde fotos que o tempo havia amarelado até alguns livros raros e documentos diversos. Aos poucos foi reconstruindo a história da cidade.

“Um dia esse material vai ter muito valor” – costumava dizer exibindo uma de suas raridades, um livro caixa da prefeitura de 1924, quando o prefeito era Jorge Sanwais. Neste livro, com as anotações feitas com caneta tinteiro, estavam registrados os pagamentos das taxas e tributos municipais que os pioneiros faziam com galinhas e porcos.

Outra preciosidade que Saulo Brasil resgatou em suas pesquisas foi o livro de Silveira Neto, “Do Guayra aos Saltos do Iguassú”, impresso em 1914, pela Tipografia do Diário Oficial do Paraná.

Com estes materiais ele chegou a editar três edições da revista Memórias de Foz, onde contou parte da história do município. Por falta de condições financeiras não conseguiu ir além deste projeto. Bateu de porta em porta em busca de apoio, até que um dia, desiludido por não conseguir apoio, Saulo Brasil foi embora de Foz, levando consigo as fotos antigas recuperadas, os documentos históricos e os livros raros. A última vez que falei com ele foi por telefone. Ligou de Porto Alegre, ou Florianópolis, não me lembro bem. Disse que o material estava guardado e muito bem conservado. “Avisa ao pessoal aí que parte da história de Foz está comigo. Se quiserem recuperar é só dar um toque”. Disse isso e desligou o telefone esquecendo de me passar o número para um retorno

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