9 de outubro de 2013

Mark Knopfler - Privateering


Enquanto parte do mundo está dividido perante o novo disco de Bob Dylan, "Tempest", há um álbum maior que sai na mesma altura vindo de um dos seus assumidos descendentes: "Privateering" de Mark Knopfler - ouça na íntegra.


O ex-líder dos Dire Straits é provavelmente o mais americano dos músicos ingleses. Quase um redneck frente aos tempos rockers da sua antiga banda, Mark Knopfler optou, por a solo, preferir a sonoridade americana mais próxima das raízes. E este álbum duplo, "Privateering", deveria dar-lhe legitimidade para reclamar cidadania norte-americana, mesmo que não tenha nascido ou não viva nas terras de Tio Sam. São razões estritamente musicais.


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As vinte canções de "Privateering" apresentam um nível médio de qualidade muito acima da média, sem momentos menores. Nesse itinerário americano, há o blues puro e duro, em 'Don't Forget Your Hat', 'Hot or What' ou 'Got to Have Something', com guitarradas slide e pianinho infernizado. É incontornável o country sob o suão das pradarias americanas de 'Privateering'. Ou numa intercepção entre ambos os géneros, dá-se de caras com o bluegrass de 'Bluebird' e de 'After the Bean Stalk'. Vislumbra-se ainda assim alguns compromissos entre o country e o pop-rock na balada 'Seattle'. Em 'Radio City Serenade' e 'Dream of the Drowned Submariner', a americana de Knopfler alarga horizontes para uma sensibilidade mais cinematográfica (a deixar vir ao de cima o seu trabalho para bandas sonoras como em "Local Hero").

Há também ecos da folk britânica em 'Haul Away' ou, num daqueles temas maiores que tudo, 'Kingdom of Gold' - com arsenal típico composto por violino, acordeão ou flauta. E ouvem-se híbridos anglo-americanos como 'Yon Two Crows'. Só em 'Go, Love', o fã de Dire Straits mais zeloso encontra matéria mais reconhecível da sua banda eleita: uma rockalhada comedida com um arrastamento semelhante a 'So Far Away'.

Mark Knopfler vive entrincheirado, entre a incompreensão dos fãs do seu ex-grupo e o desprezo do seu potencial público de americana que se afasta do disco não pelo som, mas pelo nome do autor que vem na lombada: «o chatarrão dos Dire Straits». Seria um desperdício o preconceito afugentar público de um álbum tão grandioso como este.

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