19 de novembro de 2013

O mais recente álbum de Franz Ferdinand


A banda, que só tem pouco mais de 10 anos de existência, já veio seis vezes ao País. Lançou em agosto Right Thoughts, Right Words, Right Action (Sony Music).

No disco novo nas 10 faixas, o Franz Ferdinand volta à química de harmonias do seu primeiro disco. Quase nada muda, mas o resultado é sempre um dance rock delicioso, um passo adiante do pós-punk. O disco inteiro nasceu de um insight inusitado: Alex Kapranos, o vocalista, guitarrista, cantor e compositor da banda, achou um cartão postal num mercado de pulgas. Nele estava escrito: “Come home, pratically all is nearly forgiven” (“Venha pra casa, praticamente tudo está quase perdoado”).
Esse é o verso inicial de Right Action, a canção que abre o disco. “Tem um sabor de boa vontade, de esperança nesse verso, e a estrutura da canção é interessante, vai num crescendo”, analisa Hardy. Uma espécie de “busca cínica do otimismo”, como explicou Alex Kapranos. Uma contradição em termos, mas na canção Goodbye Lovers and Friends ele ironiza: “Não toque música pop/Você sabe que eu odeio música pop/Apenas toque a música que o ateu criou”.
Em seguida, Evil Eye cuida de espantar qualquer confusão com fé extremada. A música é marcada por uma batida mais esquizofrênica, com rasgos de guitarra e distorção de algo que parece um theremin. Love Illumination, a canção seguinte, é uma balada guitarreira que fala de elevação, da necessidade de amar ao outro, de buscar um amor, é quase uma canção da fase Racional do Tim Maia. Stand on the Horizon é a Take me Out da vez, mais um roquinho acelerado com um timing perfeito entre ritmo e aceleração, entre vocais e solos.
Em Fresh Strawberries (que tem vocais de apoio de uma convidada, a cantora Roxanne Clifford, da banda Veronica Falls), o grupo parece prestar tributo evidente à maior banda britânica de todos os tempos, os Beatles. “Acho que as canções revelam um pouco os nossos gostos, mas não há nunca uma decisão consciente de soar assim ou assado. Muitas vezes, falam em coisas que nem consideramos. Tem horas que falam em Beatles, mas eu ouço mais The Specials”, disse Hardy.
Em Bullet, a fórmula de ataques simultâneos e corinhos que os tornou famosos, além dos refrões irresistíveis. “I’ll never get your bullet out of my head, baby!”. Bob Hardy fala com entusiasmo de The Universe Expanded, “certamente uma das minhas preferidas no disco”. O motivo é fácil de ouvir: é a que tem o baixo mais destacado, um toque meio retrô, meio jazzístico na coisa toda. Começa com um clima sci-fi anos 1950, um alarme de radioatividade no fundo, e vai evoluindo para uma pegada totalmente Chris Isaak.
O Franz Ferdinand não teme nenhum gênero. Brief Encounters é um reggae que poderia ser assinado por Joe Strummer. Já Treason! Animals se dissolve num tsunami de teclados. Formado desde sempre por Alex Kapranos, Bobby Hardy, Nick McCarthy e Paul Thomson, o grupo é uma prova que o rock pode perfeitamente conviver com a simplicidade e o anti glamour.

Confira Right Thoughts, Right Words, Right Action (Sony Music)

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